7 de dezembro de 2010

I Festival de Esquetes


O Centro Cultural A História Que Eu Conto tem o privilégio de convidar a todos para assistir ao I Festival de Esquetes do Complexo de Vila Aliança e Senador Camará, produzido e interpretado pelos alunos da Oficina de Teatro do Centro Cultural A História Que Eu Conto.
A importância desse Festival é compartilhar com todos vocês o resultado de 6 meses de intenso trabalho e dedicação da Cia Teatral A História Que Eu Conto em conjunto com as crianças, adolescentes e jovens moradores de Vila Aliança e Senador Camará.

2 de dezembro de 2010

II Chá com Letras da Biblioteca Quilombo dos Poetas.

Presença confirmada dos autores:
Júlio Ludemir de No coração do comando & Lembrancinha do adeus: História(s) de um bandido.
Silvia Carvalho de Entre Ruídos e Silêncio.
Além destes autores, receberemos representantes do CIESPI (Centro de Estudos e Pesquisa Sobre a Infância): Juventude e Elos com o Mundo do Trabalho. Retratos e Desafios.

E muito mais:
POESIA + MÚSICA + LITERATURA + ARTE!!!


Vai Perder?


REALIZAÇÃO: CENTRO CULTURAL A HISTÓRIA QUE EU CONTO
END: RUA ANTENOR CORREIA, Nº 1 SENADOR CAMARÁ
TEL: (21) 2404-0942 - 7888-2429

31 de outubro de 2010

Hotel do coração partido


Ronaldo era especial, seu coração era evidentemente maior que os corações normais. Nele, Ronaldo tinha um espaço para cada pessoa que conhecia. Tinha um espaço para sua mãe ( e esse era bem grande), para o pai, as três irmãs dividiam o mesmo espaço. Tinha também um espaço para Léo, o cachorro, um espaço para o papagaio, um espaço para Thiago, o vizinho, para o Zeca, o Alfredo, o Carlão, o Zé, o Manuel, tinha até um espaço para o seu geraldo, bem pequeno, é verdade, mas ninguém podia dizer que não tinha. Enfim, Ronaldo guardava no seu coração um espaço (mesmo que de minuto como o do seu Geraldo) para todo mundo. Ele guardava também um espaço para Lúcia, sua esposa. E amava Lúcia como nunca amara nenhuma outra. Ela, por sua vez, o amava com todos os espaços do seu coração, o que não era grande coisa se comparado ao dele, mas dava para se contar como sendo um grande amor. Como eu já havia dito, o coração de Ronaldo era enorme, então ele se dava o direito de amar também Cecília. E a amava como nunca amara nenhuma outra. Cecília, por outro lado, não o amava tanto quanto Lúcia, mas por questões que vão além do vão amor sentimental, e se materializam (hora em brincos, hora em anéis, hora num carro vermelho esporte), Cecília conseguia ao menos fingir que o amava. E fingia muito bem. Ronaldo seguia bem sua vida, amava todos e talvez por isso fosse também amado por todos. Até que um dia conheceu Clara. E resolveu que iria amá-la também. Mas dessa vez era diferente, o amor era grande demais para um hóspede só, então Ronaldo guardou todos os espaços vazios para ela - que recusou (achou pouco, talvez). Então Ronaldo começou a esvaziar alguns vãos a mais para Clara, que rejeitava. Gostava da insistência que ele lhe mandava bombons, flores e cartas perfumadas, mas não correspondia, não podia. Ela, diferente de Ronaldo e como a maioria das pessoas, amava um só e esse era outro. Tinha por Ronaldo um sentimento forte, sim. Um misto de pena e dó. E só, nada mais. Lúcia e Cecília continuaram atrás de Ronaldo. Lúcia mais que Cecília, mas Cecília fingia muito bem. Pena que no coração dele não havia mais espaço. Todas as vagas estavam reservadas, por tempo indeterminado, para uma só pessoa: Clara, a qual ele quem ia atrás e inexplicavelmente, gostava mais. Agora Ronaldo vaga atrás de Clara para clarear seu coração, que se encontra triste, vazio e escuro. Alguns dizem que ele ainda bate, outros que são apenas ecos do passado vagando naquela imensidão. O que se sabe ao certo, é que alguns hotéis são grandes demais para um hóspede só.


(Raoni Assis)

23 de outubro de 2010

O Jogo da Amarelinha

"No mesmo instante em que ele lhe amalava o noema, ela lhe dava com o clêmiso, e ambos caíam em hidromurias, em abanios selvagens, em sústalos exasperantes. De cada vez que procurava relamar as incopelusas, ele emaranhava-se num grimado queixoso e tinha de envulsionar-se de cara para o nóvalo, sentindo como se, pouco a pouco, as arnilhas se espechunassem, se fossem apeltronando, reduplimindo, até ficar estendido como o trimalciato de ergomanina no qual se tivesse deixado cair umas filulas de cariacôncia. E, apesar disso, aquilo era apenas o princípio, pois em dado momento ela tordulava-se os hurgálios, consentindo que ele aproximasse suavemente os seus orfelunios. Logo que se entreplumavam, algo como um ulucórdio os encrestoriava, os extrajustava e paramovia, dando-se, de repente, o clinón, a esterfurosa convulcante das mátricas, a jadeolante embocapluvia do órgumio, os esprêmios do merpasmo numa sobremítica agopausa. Evohé! Evohé! Volposados na crista do murélio sentiam-se balparamar, perlinos e marulos. Tremia o troque, as marioplumas era vencidas, e tudo se resolvirava num profundo pínice, em niolamas argutendidas gasas, em carínias quase cruéis que os ordopenavam até ao limite das gunfias."

Júlio Cortázar

Cap. 68

15 de outubro de 2010

Placa para cego.

Estava distraída quando uma passageira ao meu lado deixou escapar sua intolerância em ceder lugar às grávidas ou idosos. "Eles entram no ônibus cheio porque sabem que vão sentar...". Meu rosto não esboçou reação, mas meu sangue fervilhou entre as veias e artéias entupidas de mesquinharias alheias. Puxei a cigarra, desci no ponto de sempre e caminhei até a faculdade. Durante a aula de cálculo eu só pensava naquela frase. Maldita! Com tantas derivadas de segunda ordem para resolver e meus pensamentos desordenados! Senti raiva seguido de pena e compreensão. Sim! Eu já pensei como ela. Já fui escrota fingindo que dormia só para não levantar! Com um turbilhão de idéias entrei em consenso com meu cérebro. A guerra e as mortes sem motivo aparente começaram no momento em que as coisas óbvias precisaram ser ditas.

2 de outubro de 2010

APALPE

O APALPE, entre os dias 7 e 9 de outubro, vai transformar a LAPA-RJ em um território de intervenções urbanas com textos de 35 novos contistas de vários cantos da metrópole, além de performances e saraus. Um ciclo de debates, que conta com a participação de Mano Brown e Ronaldo Correia de Brito, entre outros, discute a palavra como expressão do território.Tudo isso foi disparado a partir do romance Guia Afetivo da Periferia que virou metodologia de produção de memórias da vida na cidade com estratégias de palavra, corpo e território.